T A G A R E L I C E S

19.04.08

Mudamos! Estamos de casa nova. Sua visita será bem vinda!!

http://tagarelicesoblog.blogspot.com

Venham que o cafezinho está pronto para acompanhar a tagarelice!

:o)

 


Escrito por Taís Kerche às 01:08 AM
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10.03.08

Cineclube HSBC Belas Artes - FEDERICO FELLINI

Neste mês, o cineclube do cinema HSBC Belas Artes está apresentando filmes do diretor italiano Federico Fellini. O cineclube apresenta um filme por semana, totalizando quatro filmes no mês. Na primeira semana, que já foi, todos os dias, às 19hs, foi projetado o filme "A Estrada da Vida", estrelado por Anthony Quinn e Giulietta Massina. A película tem muito da sensibilidade que Fellini, com seu jeito muito particular de fazer cinema, sabia colocar de forma magistral na tela.

Esta semana, do dia 07 ao dia 13, está em cartaz "Noites de Cabíria" (foto abaixo), também com a atriz Giulietta Massina, que foi mulher do diretor.

 

Na semana do dia 14 ao dia 20, será apresentado "Ensaio de Orquestra". Uma obra felliniana cheia de alegorias, cheia de simbolismos geniais, que faz parte dos filmes que imprimiram o que chamam hoje em dia do estilo "felliniano".

E para fechar o cineclube, um dos últimos filmes do diretor, chamado "A voz da lua", que traz muito surrealismo para a tela.

Vale a pena assistir. Não perca um pouquinho de um dos diretores mais geniais do cinema.

HSBC BELAS ARTES - Rua da Consolação, 2423

Programação (Clique no Nome do Filme):

- A Estrada: de 29 de fevereiro a 06 de março;
- Noites de Cabíria: de 07 de março a 13 de março;

- Ensaio de Orquestra: de 14 a 20 de março;
- A Voz da Lua: de 21 a 27 de março.

 Uma sessão por dia, às 19hs.


Escrito por Taís Kerche às 08:43 PM
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12.02.08

Pensamentos tagarelas

"Qual Ioga, qual nada! A melhor ginástica respiratória que existe é a leitura, em voz alta, dos Lusíadas."


Mário Quintana
Poeta brasileiro
(1906-1994)

Então, vamos praticar!

Os Lusíadas - Canto I


1

As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

2

E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando;
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

3

Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram:
Cesse tudo o que a Musa antígua canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

4

E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mim um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mim vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloquo e corrente,
Porque de vossas águas, Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipoerene.

5

Dai-me uma fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou frauta ruda,
Mas de tuba canora e belicosa,
Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
Dai-me igual canto aos feitos da famosa
Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
Que se espalhe e se cante no universo,
Se tão sublime preço cabe em verso.

6

E vós, ó bem nascida segurança
Da Lusitana antígua liberdade,
E não menos certíssima esperança
De aumento da pequena Cristandade;
Vós, ó novo temor da Maura lança,
Maravilha fatal da nossa idade,
Dada ao mundo por Deus, que todo o mande,
Para do mundo a Deus dar parte grande;

7

Vós, tenro e novo ramo florescente
De uma árvore de Cristo mais amada
Que nenhuma nascida no Ocidente,
Cesárea ou Cristianíssima chamada;
(Vede-o no vosso escudo, que presente
Vos amostra a vitória já passada,
Na qual vos deu por armas, e deixou
As que Ele para si na Cruz tomou)

8

Vós, poderoso Rei, cujo alto Império
O Sol, logo em nascendo, vê primeiro;
Vê-o também no meio do Hemisfério,
E quando desce o deixa derradeiro;
Vós, que esperamos jugo e vitupério
Do torpe Ismaelita cavaleiro,
Do Turco oriental, e do Gentio,
Que inda bebe o licor do santo rio;

9

Inclinai por um pouco a majestade,
Que nesse tenro gesto vos contemplo,
Que já se mostra qual na inteira idade,
Quando subindo ireis ao eterno templo;
Os olhos da real benignidade
Ponde no chão: vereis um novo exemplo
De amor dos pátrios feitos valerosos,
Em versos divulgado numerosos.

10

Vereis amor da pátria, não movido
De prémio vil, mas alto e quase eterno:
Que não é prémio vil ser conhecido
Por um pregão do ninho meu paterno.
Ouvi: vereis o nome engrandecido
Daqueles de quem sois senhor superno,
E julgareis qual é mais excelente,
Se ser do mundo Rei, se de til gente.

Para quem quiser praticar mais: http://www.oslusiadas.com

 


Escrito por Taís Kerche às 01:37 PM
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10.02.08

Tagarelices recomenda - TEATRO: "Calabar - Breviário"

 

A peça “Calabar – Breviário” está em cartaz no Sesc Av. Paulista, de sexta a domingo, às 21hs. O texto é de Chico Buarque e do cineasta Ruy Guerra, adaptação e direção de Heron Coelho e Rafael Gomes.

 

A peça reinterpreta a história da ocupação de Pernambuco pelos holandeses e a guerra entre eles e os Portugueses, que se consideravam donos da terra. O personagem Domingos Fernandes Calabar, nos livros de história, é mencionado como o grande traidor dos colonos, por ter lutado ao lado dos holandeses, mas na peça há a desmitificação da história oficial e uma metáfora dos tempos de repressão do governo Médici, ao trazer os temas tortura, assassinato, traição e autoritarismo.

 

Originalmente, a ela foi escrita no final de 1973, só que censurada, sem motivo aparente, em sua época de produção, depois de longos 4 meses de análise pelo general Antônio Bandeira, da polícia federal. Na época, o prejuízo foi muito grande, pois empregaram mais de 80 pessoas e foram gastos em torno de 30 mil dólares.  Ela só foi encenada apenas em 1980, com uma nova montagem, sob a direção de Fernando Peixoto.

Agora, em 2008, ganha montagem em um palco na forma de arena, no décimo andar do Sesc da Av. Paulista, com um elenco talentoso que retoma um pouco do sentimento revolucionário vigente da época e o questionamento de onde tudo isso foi parar.

Músicas como “Tatuagem”, “Ana de Amsterdam”, “Fado tropical” e “Cala a boca, Bárbara” entremeiam as falas e as ações das personagens. São interpretadas de forma intensa e magistral.

Vale a pena ver um peça que já fez história e que agora está aí, mesmo que num breviário.

Nas fotos: a atriz Luciana Paez e o ator Ivan Kraut, retiradas do Blog Cacilda - http://cacilda.folha.blog.uol.com.br/

Fonte: site do Chico Buarque - www.chicobuarque.com.br

Maiores informações no site do Sesc - www.sescsp.org.br

Taís Kerche

 


Escrito por Taís Kerche às 01:59 AM
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05.02.08

Não é à toa...

Não é à toa que a depressão é o mal do século. São muitas exigências para uma pessoa só. Seguir padrões de beleza, ser magra, andar na moda, ter cabelo bonito e bem tratado, mãos e pés impecáveis; falar e escrever português corretamente, ter fluência em inglês, procurar aprender uma outra língua como diferencial para seu currículo e sua carreira, ter uma profissão que lhe dê prazer e ao mesmo tempo dinheiro, conseguir seguir um plano de carreira dentro da empresa; estar sempre atualizada com as novas tendências tecnológicas, megabytes, gigabytes, mp3, mp4, Ipod, celulares que já adivinham para quem você quer ligar, fones de ouvido mega potentes, tvs de ultra mega super alta definição; estar antenada com as notícias não só do Brasil, mas também do resto do mundo, inclusive das micro ilhas da Indonésia, entender o tipo de economia vigente lá e o sistema político adotado; ter um relacionamento feliz e duradouro com um homem que atenda todos os pré-requisitos para lhe fazer feliz, ou seja, um homem com pouquíssimos defeitos, estar casada com ele antes dos 30 anos, ter filhos ou um filho até os 35 e ainda continuar bonita e sensual, pois você corre o risco de ser trocada por outra mulher que é tudo isso e muito mais; além de ter o seu apartamento que atenda o design da última moda e te defina como pessoa, e que ele esteja sempre limpo e impecável para receber suas amigas, casadas ou não, mas todas pós-graduadas como você, que já passou por trabalhos de conclusão de curso, bancadas com professores mal humorados cheios de perguntas irrelevantes, às vezes considerados profissionais frustados; mas, nada disso importa,  pois você conseguirá assistir a todos os ultra mega advanced espetáculos do Teatro Abril, aos shows do U2 e do Roger Waters, que talvez nunca mais venham ao Brasil, assim como os filmes da Mostra Internacional de Cinema que só passam uma vez e nunca entrarão no circuito dos grandes cinemas, e você, ainda bem, conseguiu ver àquele do diretor consagrado do Irã que todos acharam fantástico; e claro, não podíamos esquecer que você também tem que, antes dos 50 anos, ter conhecido a Europa, alguns países essenciais da América Latina, como Chile e Argentina, e a última tendência da área do turismo, Dubai; e nada melhor do que levar na bagagem, tanto de mão quanto intelectual o entendimento de assuntos, principalmente os literários, para isso, é preciso que você tenha lido, pelo menos um livro do Saramago, um do Luis Fernando Verissimo, do Dostoievski, do português Eça de Queirós, do baiano Jorge Amado, do colombiano Gabriel Garcia Marques, e do espanhol Miguel de Cervantes, ter lido e saber citar poesias de Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Fernando Pessoa, saber sobre cinema e os filmes de autor e assim ter visto, pelo menos, um filme do Fellini, do Kubrick, do Lars Von Trier, do Spielberg, do Kurosawa e do louquíssimo Buñel, ter ido a todas as super ultra mega exposições da Oca, no Parque do Ibirapuera e para finalizar, não esquecer de se atualizar sempre nos últimos campeões do campeonato Paulista, Brasileiro e Libertadores. Tudo isso, procurando sempre manter a sua autenticidade e personalidade intactas, seguindo os preceitos do bem e não fazendo mal a ninguém, porque aqui se faz, aqui se paga.

Taís Kerche


Escrito por Taís Kerche às 03:03 PM
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29.01.08

Falando em música

Este clima de pré-carnaval faz com que uma música do grande Chico Buarque fique martelando na minha cabeça. Tudo bem que é uma martelada boa, afinal de contas, é uma música do Chico. Para quem conhece a obra do compositor, já deve saber sobre qual música estou falando. Ela é de 1972, composta para o filme de Cacá Diegues, de mesmo título "Quando o carnaval chegar". Abaixo, a letra. Apreciem, sem moderação.

Quando o carnaval chegar
Chico Buarque/1972
Para o filme Quando o carnaval chegar de Cacá Diegues



Quem me vê sempre parado, distante
Garante que eu não sei sambar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando
E não posso falar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo as pernas de louça da moça que passa e não posso pegar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Há quanto tempo desejo seu beijo
Molhado de maracujá
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando
Que eu vou aturar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar


1972 © Marola Edições Musicais
Todos os direitos reservados. Copyright Internacional Assegurado. Impresso no Brasil

Fonte: www.chicobuarque.com.br

 


Escrito por Taís Kerche às 10:24 PM
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28.01.08

Música, muita música...

 

Por Taís Kerche

 

Um dia me disseram que a música é pura matemática. De matemática eu não sou muito fã, mas, tenho a certeza de que a música é a matemática mais gostosa de ser apreciada. Ouvi-la me dá muito prazer. Com o advento da internet, este prazer ganhou dimensões quase que infinitas, pela facilidade de obter os objetos, ou seja, as músicas. Com apenas alguns cliques, alguns minutos, eu tenho em minha máquina a música que eu quiser.

 

Tudo isso é muito bom, muito conveniente, muito fácil, mas nunca esqueci dos donos desses objetos, os músicos. E lembrando deles, lembro de seus direitos autorais, lembro de dinheiro, lembro de pão, de ganha-pão. A arte de fazer música deve sempre ser valorizada. O seu pagamento é imprescindível. Assim como qualquer outra arte consumível. Os livros, os quadros, as fotografias, as peças de teatro, os filmes. E sempre pensei, sempre desejei que alguma mente, dessas bem geniais, um dia, pudesse resolver esse dilema.

 

            Minha mente, bem longe de ser genial, apenas imaginava que deveria existir alguma forma de proporcionar ao usuário, ao apreciador, ao ouvinte tais mídias de forma gratuita, mas ao mesmo tempo, repassar os direitos autorais aos autores e músicos, donos de tudo.

 

            E não é que hoje, ao ler algumas matérias do caderno Ilustrada da Folha Online, deparei-me com a seguinte notícia: “Site vai oferecer mais de 25 milhões de músicas de graça”. O projeto é inovador, é revolucionário e é legal, digno, justo. Vamos torcer para que dê certo. Vamos torcer para que esses 25 milhões de objetos de prazer sejam disponibilizados a todos nós. 

 

            Abaixo, a notícia. Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u367495.shtml

 

28/01/2008 - 11h00

Site vai oferecer mais de 25 milhões de músicas de graça

da BBC Brasil

Atualizado às 14h27.

Após passar uma década tentando combater a pirataria de músicas pela internet, parte da indústria fonográfica decidiu liberar, a partir desta segunda-feira (28), o acesso gratuito a mais de 25 milhões de canções pela internet.

O serviço de música online Qtrax anunciou ontem uma parceria com grandes gravadoras, incluindo EMI, Sony BMG, Universal Music e Warner Music, que vai possibilitar que usuários baixem de graça títulos de vários gêneros.

Entretanto, três dessas gravadoras --Warner Music, EMI e Universal Music-- negaram que o acordo tenha sido fechado.

O anúncio foi feito pela empresa norte-americana durante a abertura da 42ª edição do Midem (Mercado Internacional do Disco e da Edição Musical), a feira mundial da música, em Cannes, na França.

Para acessar as músicas, o usuário terá de ir ao site da Qtrax e baixar um software específico. Os arquivos vão vir com DRM (sistema que limita o número de cópias possíveis de um arquivo).

Ipod fora

As músicas que poderão ser baixadas pelo Qtrax não serão compatíveis --pelo menos em um primeiro momento-- com o iPod. Mas a empresa já anunciou que está estudando uma "solução para o iPod", a ser disponibilizada em 15 de abril.

Como parte do acordo, artistas e gravadoras serão pagos conforme o número de acessos às suas músicas e ainda receberão uma fatia do que for arrecadado com os anúncios publicitários feitos na página da Qtrax.

Empresas como Microsoft, Mc Donald's e Ford já revelaram que serão alguns dos anunciantes.

Cerca de US$ 30 milhões (R$ 53 milhões) foram investidos pela Qtrax na nova tecnologia.

O chefe-executivo da empresa, Allan Klepfisz, disse que os consumidores "agora poderão compartilhar música legalmente pela internet".

"Nós queremos poder disponibilizar música de graça num ambiente de total legalidade que permitirá que os artistas sejam pagos".

 


Escrito por Taís Kerche às 08:10 PM
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23.01.08

Ah se eu soubesse...

 

Não, eu juro que não sabia. Não tinha como saber. Ela estava ali, a todo tempo. Depois é que descobri, depois que a perdi. Já era tarde. Eu a perdi e me perdi, essa é a mais pura verdade. Dizem que a gente só dá valor para as coisas quando as perdemos. Outra verdade.

 

Eu achava que tudo aquilo era normal, que a tendência era só melhorar, a base já estava pronta, não tinha como cair, mas tinha. O pior é que tinha. Como eu ia saber? Se alguém tivesse me avisado, eu teria curtido mais, cada segundo, cada peculiaridade daqueles momentos. Saborearia mais, abraçaria mais, cheiraria mais, olharia mais, sentiria mais, riria mais. Eram momentos mágicos, e eu não sabia. Só fui descobrir depois, quando já não os tinha.

 

Diariamente fecho meus olhos e me torturo, tentando, procurando reviver, aqui dentro, um cheiro, um sabor, um toque, algo, qualquer coisa que me leve de volta. Ah, tudo foi tão bom. Tudo foi tão pleno e sincero. Tudo foi tão inteiro. Mas, se eu soubesse, teria sido mais do que inteiro, transcenderia a unidade. Se eu soubesse que tudo acabaria eu teria me entregado de corpo, alma, espírito, essência.

 

Agora fico aqui, vasculhando, com unhas afiadas, a minha memória a procura de detalhes, de micro detalhes que só eu sei. Revejo datas, horários, dias festivos, comemorativos, notas musicais, palavras perdidas num tempo que é só meu.

Ah, se eu soubesse, teria guardado tudo isso numa caixinha. Anotado tudo numa agenda. Teria feito tudo para não esquecer nada. Será que tentando guardar tudo, eu teria vivido tudo? Ou guardaria o nada? Não tinha pensado nisso. Talvez a resposta seja o nada.

 

Só sei que ela se perdeu, sumiu, assim, evaporou-se a felicidade. Ah, se eu soubesse...

Taís Kerche


Escrito por Taís Kerche às 11:07 PM
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22.01.08

Um estímulo...

Início do ano, 22º dia, aquela vontade de fazer tudo diferente, agir de outra forma, ver o mundo calmamente, tenho certeza que ainda continua. E para estimular esse sentimento, aqui vai um texto maravilhoso de Clarice Lispector, "Mudar".

MUDAR 
(Clarice Lispector)  

Mude, mas comece devagar porque a direção é mais importante que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
   
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair,procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,

Ande por outras ruas, calmamente 
observando com atenção os lugares por onde   você passa.

Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.

Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.

Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.

Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.

Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes
.

Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.

Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.


E aproveite para fazer uma viagem
despretensiosa,
longa, se possível sem destino.


Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.

O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda !

Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena
! 


Escrito por Taís Kerche às 05:30 PM
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10.01.08

Palavras e mais palavras, carregadas de poesia, estão no

blog Devaneios e Divagações iltda, por Taís Kerche

Visitem - http://kercheiltda.blogspot.com


Escrito por Taís Kerche às 01:25 PM
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